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O que você faz das suas próprias deficiências? E reflexões novas

Eu escrevi o texto abaixo, e o publiquei no meu blog pessoal, em dezembro de 2015, no dia 3 que é o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. De lá pra cá, eu tenho visto dois movimentos acontecendo no que tange à deficiência em nosso país. O primeiro se constitui em uma anulação sem precedentes de direitos conquistados, atrelado a um triste retrocesso dos avanços que vinham paulatinamente sendo feitos na sociedade, na cultura, no pensamento coletivo a respeito de diferença, barreiras, acessibilidade, inclusão. O outro... ah o outro é um movimento de resistência, de força, luta, insistência, de persistência, de grito e peito aberto em defesa de ser sujeito! Sujeito de direitos, porque se é fácil e antes sujeito de deveres. Estou aqui, exercendo o privilégio de participar do VIII Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa, da ISAAC-Brasil e sediado pela gigante Unicamp. E o que vejo em todo canto é o brilho no olhar de quem sabe o que quer, acredita numa sociedade mais justa, e quer ocupar o próprio espaço no planeta com digna responsabilidade. O que se vê aqui, quero acreditar, é uma parcela de bravos lutadores de muitos e diferentes grandes grupos espalhados pelo Brasil: pessoas com deficiência e necessidades complexas de comunicação, familiares dessas pessoas, professores, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, engenheiros, arte-terapeutas, psicólogos, empresários, fisioterapeutas, pesquisadores, desenvolvedores de tecnologia, empreendedores sociais, artistas... Nós não desistiremos! Ninguém sem voz entre nós!


"Hoje é o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Há mais de duas décadas, a data foi escolhida pela ONU para promover ampla reflexão a respeito dos direitos da pessoa com deficiência. Seguindo este propósito, coloco-me a representar, apenas por um momento, o grupo de todos os demais membros da sociedade, cujas dificuldades não costumam ser classificadas como deficiências, no contexto atual em que vivemos, mas que impactam significativamente nossas relações humanas. Assim, dirijo-me humildemente, às pessoas com deficiências: Desculpe-me por aquele dia em que me esqueci de posicionar-me à altura dos seus olhos, para que pudéssemos conversar melhor. Desculpe-me por não lhe descrever corretamente o caminho, evitando tropeços e os obstáculos das ruas. Desculpe-me por não dirigir perguntas a você mesmo quando eu gostaria de lhe conhecer melhor… não percebi que é capaz de se comunicar, embora não possa falar. Desculpe-me por não saber manejar bem sua cadeira de rodas e me atrapalhar com os equipamentos e recursos, que são tão importantes para você. Desculpe-me por evitar olhar em seus olhos. Desculpe-me por não lhe proporcionar o mobiliário adequado para que estivesse mais confortável e pudesse agir plenamente. Desculpe-me por ter interpretado incorretamente seu comportamento e não lhe ajudar da forma como seria melhor para você. Desculpe-me pelas vezes em que subestimei sua capacidade de aprender e me ensinar. Desculpe-me por não ter disponibilizado a imagem que traduziria o que você estava sentindo naquela noite confusa. Desculpe-me. Buscarei afinar meu coração às lições diárias e silenciosas da superação das suas dificuldades e tratar de superar as minhas íntimas e tão numerosas deficiências."


Grace Donati

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