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"Parceiros em Diálogo na Diversidade" é tema de Congresso de Comunicação Alternativa em Campinas


A cada dois anos, a ISAAC-Brasil organiza o Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa. Este ano será no interior de São Paulo, na cidade de Campinas, e está em sua oitava edição. Confira abaixo o bate-papo que tivemos com Eliana Cristina Moreira, atual presidente da Associação dos membros brasileiros da ISAAC (International Society for Augmentative and Alternative Communication).


O tema do congresso este ano será “Parceiros em diálogo na diversidade”. Por que este tema?


A gente tenta, a cada edição do congresso, ter um foco. Em 2013, o foco foi a inclusão – “Comunicar para incluir”, além da escolar, a inclusão dos adultos no mercado de trabalho. Após este congresso, tivemos, em 2015 o tema “Comunicação Alternativa: Ocupando Territórios” com a proposta de pensar os territórios, os espaços que a Comunicação Alternativa já ocupa: território escola, território saúde, território campo de trabalho etc. Foi bem interessante porque percebemos um pouco de continuidade aos temas.

Em 2017, como já havíamos tratado dos espaços, ou seja, que espaços são esses, a comissão organizadora pensou no tema “serviços”, isto é, que tipo de serviços seriam realizados nesses espaços. E o tema ficou “Trilhando juntos a Comunicação Alternativa”, que seria aprofundar a questão do espaço acrescentando o serviço: que tipo de serviço é prestado?

Quando a comissão começou a discutir o tema para 2019, vários aspectos foram levantados e acabamos escolhendo discutir as pessoas em situações de comunicação com os usuários de Comunicação Alternativa, os interlocutores. Na verdade, gosto de usar um termo mais comprido: pessoas com necessidades complexas de comunicação. Então pensamos em discutir isso: “Será que nós, no Brasil, temos interlocutores suficientemente preparados ou disponíveis para essas pessoas com necessidades complexas de comunicação?” E aí surge o tema: “Parceiro em diálogo na diversidade”. E quem são os parceiros dentro do serviço público de saúde? Dentro da escola? Parceiros não é só o professor. É o professor, os alunos, a direção... Será que eles estão preparados para conversar, para interagir com as pessoas com necessidades complexas de comunicação? Como que a gente poderia fazer isso? Este foi o caminho para chegarmos a questão dos parceiros, que seriam os interlocutores das pessoas com necessidades complexas.


Diferentes dos congressos em outras áreas, vocês também chamam os familiares para o centro da conversa, correto? Está dentro dessa dinâmica dos interlocutores? Qual a motivação?

Na verdade, a gente chama os familiares antes disso. Na ISAAC-Brasil acreditamos que para construir a Comunicação Alternativa, você precisa de todos os atores envolvidos: o profissional que trabalha com a pessoa com necessidade de comunicação complexa de comunicação, a família dela e ele próprio. E assim como essa tríade compõe a associação, nos eventos eles também participarão, em todas as categorias: palestrantes, congressistas, apresentador de trabalho etc. Não é um evento só para profissionais. Existem algumas atividades que acabam sendo mais direcionadas aos pesquisadores, e outras para determinadas categorias de profissionais, mas o congresso não é exclusivamente para profissionais. Hoje em dia isso é bem comum, nos eventos da área: profissionais, pesquisadores e também as pessoas com deficiência. Quando a comissão organizadora passou a discutir o tema, percebemos que iríamos abordar família, escola, professor, hospital, mas a partir de um outro ponto: será que somos uma sociedade com interlocutores preparados para essa comunicação? E aí a gente sacou que especialmente nesse congresso seria imprescindível que as pessoas com necessidade complexas de comunicação mandassem o seu recado! Será que eles têm realmente interlocutores?


E o evento será descentralizado?

Isso. Não acontece em uma sala única. Somente as conferências magnas, que são duas, as pessoas estarão na mesma sala. Isso é bem comum em congressos, termos as salas concomitantes, essa organização proporciona atividades para todos os segmentos: o grupo dos professores, dos fonoaudiólogos, dos pesquisadores...


É o primeiro ano de uma parceria com a Fundação Síndrome de Down, de Campinas. Como surgiu esta parceria?

Temos discutido muito que, para que uma associação tenha ações que resultem em uma transformação na sociedade, é necessário um maior engajamento, e aqui vale ressaltar um trabalho conjunto com outras associações. Por isso, temos feito parcerias com associações afins, como a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, a Associação Brasileira de Apraxia de Fala na Infância e a Associação Brasileira dos Pesquisadores em Educação Especial. Acreditamos que é preciso fazer dessa maneira o trabalho e logicamente também no congresso, que é o nosso mais importante evento da ISAAC–Brasil. No entanto, queríamos fazer o congresso e ter um dia desvinculado do evento, porém pertencente a ele. A ideia era que pudéssemos dar mais acesso às pessoas. Os três dias do congresso são para os congressistas, então eles pagam as taxas. E o quarto dia, um sábado, foi destinado para os minicursos, sendo que a inscrição para eles não esta atrelada à inscrição do congresso, ou seja, o interessado pode só fazer o minicurso. Inicialmente pensávamos em uma escola para essa parte do evento, mas na segunda reunião uma das pessoas da comissão organizadora falou: “ah, podia ser na Fundação Síndrome de Down de Campinas?”. E eu falei: “sim”. Nesses meses de trabalho é fato que esta parceria, tanto pra ISAAC-Brasil quanto para a Fundação Síndrome de Down de Campinas, está sendo importante, porque eles estão cedendo espaço e a gente cede vagas para os profissionais dos minicursos. Percebemos que talvez isso venha a ser, futuramente, uma estratégia de ter outras associações de áreas afins junto para realizar eventos tais como minicursos, campanhas, etc. Essa experiência está sendo um pequeno ensaio para a organização de uma atividade muito comum nas Conferências Internacionais, o CAMP, que consiste em oficinas com pessoas com necessidades complexas e alguns familiares. Para nós, está sendo uma experiência muitíssimo boa em ter essa parceria com a Fundação Down. Acho que esse vai ser o “start” para as próximas edições do Congresso da ISAAC-Brasil.


O símbolo do congresso são três tipos diferentes de engrenagem. Por que vocês pensaram isso? Qual o significado?

Quando você lê sobre o tema (no site) descrevemos uma ideia de como o trabalho com Comunicação Alternativa depende de várias engrenagens, as quais se ajustam entre si de modos diferentes. O profissional com a escola é uma engrenagem para rodar e fazer funcionar. Mas a engrenagem que está entre o profissional e a escola é diferente da engrenagem que está entre o profissional e a família. E, por exemplo, entre a escola e a assistência social também será diferente.

Além disso, os tamanhos das engrenagens também serão diferentes e o formato redondo remete a um movimento circular contínuo. Tudo para mostrar que a comunicação é um movimento. O sentido é mostrar um movimento circular com as engrenagens em ajustes diferentes, a gente pensa que a comunicação é uma ação que não deve parar, e que a ISAAC-Brasil não pode parar de divulgar a Comunicação Alternativa e assim permitir que todas as pessoas possam se comunicar.


O Congresso contará com palestrantes do exterior?

Nesta VIII edição do Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa teremos a participação de Lateef McLeod, representante mundial das pessoas com necessidades complexas de comunicação. Ele virá ao Brasil para fazer um workshop de modo a incentivar outras pessoas com necessidades complexas de comunicação a assumir a liderança no movimento da Comunicação Alternativa no Brasil. Isso é algo único. O Lateef é uma pessoa incrível e um chamariz para que haja um maior número de pessoas lidere em seus lugares, suas cidades, Estados.

O congresso como um todo está sendo bem preparado. Todas as mesas foram muito bem pensadas e organizadas para que a gente possa trazer o que há de mais novo, para atualizar as pessoas, e acho que temos espaço para todos: famílias, pessoas com necessidades complexas, profissionais de todas as áreas. Espero realmente que as pessoas venham participar e aproveitar!


Serviço

Para mais informações sobre o VIII Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa, acesse www.isaacbrasil.org.br

Por Natália Zen


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