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As mil escolhas de pais e mães

Não é de hoje que assisto pais e mães se deparando com muitas, inúmeras escolhas para conduzir a vida de seus filhos e filhas, tentando errar o menos possível, como que equilibrando-se numa corda bamba. Esse é o cotidiano de pais e mães: tomar decisões, levando em conta o que é mais saudável, o que é melhor para o momento, o que é mais recomendável pelos especialistas, o que o bolso pode pagar, o que a criança prefere, o que a ciência defende, o que efetivamente garante o sorriso do filho/filha que tanto vale, tanto, tanto... Eu não sou mãe, então não sei o que é sentir esse medo na pele. O medo de escolher errado. Mas eu o sinto perto, vivo, suspenso, paralisante às vezes. Como se tudo se explicasse pela parábola bíblica das duas portas... de que há um céu e um inferno e cabe a você decidir para onde ir. E daí eu fico aqui pensando: todo mundo vive dias em que não quer escolher nada. Às vezes eu mesma gostaria de nem escolher o que comer ou vestir. Esses dias eu ouvi uma mulher dizendo que chegou pra manicure e disse... ”ah... escolhe qualquer cor, hoje eu não quero escolher” e saiu com unhas azuis reluzentes, tão diferentes da expectativa, mas tão OK!! Quando é pra gente, é até fácil escolher de qualquer jeito, não escolher, não decidir e deixar a banda tocar o que for. Quando é da gente mesmo que se trata, a gente até pode escolher não escolher. Ninguém morre e tudo bem. Mas não dá pra fazer isso com filho! Ah... não dá! Quem tem filho tem escolhas, muitas, inúmeras, que se multiplicam com o passar dos anos e que surgem cada vez mais complexas. Escolher é também deixar de escolher e isso carrega em si um peso enorme da responsabilidade de abandonar um caminho e seguir por outro, apostando tudo nele, apostando o sorriso de um filho, investindo você mesmo/a inteiramente nessa escolha. Ao se tornar mãe e ao se tornar pai, torna-se um escolhedor de caminhos, um apostador inveterado da própria energia na expectativa do bom, do belo, do melhor. E no meio disso tudo, tem medo, tem as agruras da alma, tem incertezas, as vozes que tudo acham e pouco sabem, a reminiscência das duas portas... a tatuagem tão entranhada da dualidade simplista de que é tudo preto ou branco, bom ou mal, certo ou errado... igual novela. Então, bora lá, pais e mães... desintoxiquem-se das lições novelescas entranhadas em vocês. Suas vidas são bem reais, complexas e suas condutas devem ter contornos no universo do possível, não do perfeito. Porque o perfeito não existe. Devem atender ao que lhe faz leve, satisfeito/a e tranquilo/a. Não tem escolha certa, tem apenas a escolha. Encare-a, pegue-a de jeito! E tome a decisão que caiba bem na vida da sua família. Se ficar apertada e tiver que se espremer pra caber nela, não serve. O seu filho e a sua filha são a sua melhor decisão. Todo o resto é mero detalhe. Só decida ser feliz, tá bom?!


Grace Donati

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